Hoje na TVI passou uma reportagem acerca das condições da maternidade em Portugal. Segundo a reportagem, somos o único país da União Europeia em que as mulheres, após terem os seus bebés, tomam, elas próprias, a iniciativa de regressarem ao trabalho. Todas, com certeza, conhecemos casos de mães que regressam ao trabalho mesmo antes do fim da licença de maternidade. Já para não falar nos casos de grávidas que são despedidas pelo simples facto de estarem grávidas. É incrível que num país em que se apregoa a necessidade de haver mais bebés, em que se está sempre a mencionar a necessidade de aumentar a taxa de natalidade, em que se prevê que daqui a uns anos, cada contribuinte terá que suportar não sei quantos reformados, não se aposte a sério em leis de protecção e incentivo à maternidade. Não se seguem os exemplos de outros países em que foram adoptadas políticas que permitem às mães acompanharem os seus bebés pelo menos nos primeiros 6 meses de vida, essenciais ao bom desenvolvimento da criança. Cá, temos direito a 5 meses de licença de maternidade com remuneração a 80%, numa altura em que as despesas aumentam… Para se receber a 100% há que sacrificar um mês, e usufruir apenas 4… E ainda se ouve… “4 meses é muito tempo! Nem vais saber o que fazer tanto tempo em casa!” E vá lá que criaram a licença parental, para o pai também poder acompanhar a mãe (são 5 dias + 15 dias remunerados).
Esta é uma questão de mentalidades e sua mudança. O acompanhamento na primeira infância é encarado como algo pouco necessário, podendo a mãe perfeitamente deixar o seu bebé aos cuidados de terceiros – avós quando tem sorte, desconhecidos quando não tem. No caso de ter de recorrer a creches e amas, o esforço financeiro é enorme e variável segundo a localização geográfica. Pelo que me tenho apercebido, em Lisboa os valores rondam os 400€ numa creche! Alguém me explica como um casal de classe média consegue suportar a despesa? Claro que o casal “normal”, não pode nem pensar em ter mais que um filho! Sou de opinião que o nosso país precisa de uma revolução a este nível, uma Lavagem Cerebral a nível político e de entidades patronais, para que seja reconhecido o importante papel da maternidade e do acompanhamento das crianças nos seus primeiros meses de vida.
Para quem ainda não tem noção dos seus direitos:
http://www.cite.gov.pt/cite/Protcmat.htm
http://www.seg-social.pt/
Neste site podem investigar o que se passa noutros países:
EURES
E a notícia na SIC: “Mães portuguesas abdicam de direitos“
