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икониE o momento do Tiago foi no dia mais quente do ano: domingo, 26 de Junho pelas 12:20.

Tiago

O tempo de gravidez estava cumprido: 40 semanas. A data prevista do parto indicava dia 26. Há já muitos dias que a barriga estava descida e que o rolhão havia saído. Todos aguardávamos a chegada do Tiago. Todos os dias me perguntavam: “Então? Ainda não nasceu?” Mas cada um tem um seu tempo, e à semelhança da sua mana, o Tiago quis cumprir todo o tempo no SPA materno.

As primeiras contracções dolorosas surgiram ainda no sábado. Depois de um dia normal, à noite coecei a sentir as já minhas conhecidas dores no fundo da barriga. Consegui adormecer e dormir um sono até cerca das 2 da manhã, hora em que nem as dores, nem a sua cadência (intervalos de 6 minutos e duração de 1 minuto) me deixavam dormir. Fiquei no sofá a (tentar) ver TV enquanto o Pai ainda fazia um trabalho para a universidade com uns colegas no escritório. Por volta das 3 da manhã liguei ao Parteiro que me disse que o TP ainda estava atrasado, que continuasse a controlar as contracções e assim que diminuissem o intervalo, que lhe ligasse novamente. Assim foi até cerca das 6 da manhã, hora em que lhe liguei novamente a informar que as dores estavam mais intensas e que as contracções estavam de 5 em 5 minutos. Ele disse então que sairia para vir ter comigo. Na mesma altura liguei para a amiga C. a avisar que deveria ser aquele o dia, e para ela se preparar para vir buscar a Maria.

Como as dores eram bastante intensas (eu pensava: “Não me lembro que doesse tanto da Maria…”), resolvi ir até à banheira com água quentinha. As contracções espaçaram então um pouco, aumentando o seu intervalo novamente para 6 minutos. Ali fiquei até à chegada do Parteiro cerca das 9 da manhã. Feito o toque, a dilatação estava nos 4 para 5 cm. Decidi sair da banheira e caminhar pela casa para ver se ajudava o trabalho de parto a progredir. Assim foi, em pouco tempo as contracções aceleraram para um intervalo de 2 em 2 minutos. Lá pelas 10:30 pedi para que me observasse, pois estava curiosa para saber quanto faltaria para a dilatação estar completa. Toque feito, 10 cm completos, e indicação para puxar quando sentisse vontade.

A necessidade de puxar não era contínua, ía e vinha. As dores eram intensas e mais uma vez o filme parecia repetir-se: o bebé não descia. Fazia força, força e nada. E até ali a bolsa de água ainda não tinha rebentado. Fomos fazer uma observação e enquanto o Parteiro observava a bolsa rebentou – líquido branquinho, e tudo ok com o bebé. Como eu estava a ficar muito cansada também derivado da noite sem dormir, o Parteiro sugeriu que eu voltasse para a banheira para que a água tivesse um efeito calmante. Novamente as contracções ficaram mais espaçadas, permitindo que eu descansasse. Contudo, eu estava a ficar muito nervosa com medo que acontecesse o que aconteceu do parto da Maria e eu tivesse que ir aos hospital. Esse meu descontrole foi o que de pior ocorreu, eu comecei a pensar que não era capaz e que não estava a ser capaz de ajudar o meu filho a nascer. Tanto o Pai como o Parteiro me ajudaram e incentivaram. Resolvi sair da banheira a ver se a posição vertical ajudava. Fiquei algum tempo de cócoras e comecei a conseguir concentrar-me melhor a afastar maus pensamentos. O Parteiro dizia que o bebé estava a descer e sugeriu que me deitasse um pouco para ver o que ele podia fazer para ajudar. Assim foi, manobra para aqui, manobra para ali e a indicação correcta de onde aplicar a força, em pouco tempo oiço: “Já vejo a cabeça.” Na próxima contracção, o bebé coroa. Foi uma sensação de alívio em que eu pensei: “Vamos conseguir e já falta pouco.” A dor era muito intensa, parecia que estava tudo a rasgar. Houve ali um compasso de espera pois o Tiago tinha três voltas do cordão umbilical em volta do pescoço. O cordão teve de ser cortado ainda com o bebé dentro, pois as voltas eram bastante apertadas. Enquanto isso, só me lembro de gritar de dor. Com o próximo puxão o bebé nasceu: 3.600kg e 52cm.

Não chorou logo. Precisou de ser aspirado para começar a respirar, mas mal começou a chorar veio para o meu peito e ali ficamos, em êxtase durante longos minutos.

A placenta “nasceu” também logo a seguir e eu questiono: “Agora vai-me coser?”, pois eu estava muito convencida que deveria haver muito a consertar. Resposta do Parteiro: “Coser o quê? Não há nada para coser!” E de facto, nem uma laceração, nem um rasgão, nada!

Depois de toda a adrenalina do parto, eu estava exausta, mas cheia de fome. O Pai preparou uma deliciosa salada de atum e grão que me soube pela vida.

O Tiago mamou mais de uma hora depois de ter nascido, pois não aceitou a mama antes.

E desta vez, tudo correu bem e foi óptimo estar em nossa casa, descansar à vontade e receber quem amamos logo a seguir :)

Recuperação:

Óptima e rápida. Sem pontos, em 3 dias já andava perfeitamente, que nem parecia que tinha tido um bebé. Agora é esperar que o corpo volte à forma normal e os quilos a mais se vão embora.

Amamentação:

Sem problemas de maior, tirando a dor nos mamilos. O Tiago mama de 2 em 2 horas, às vezes menos. Aumentou mais de 400g em menos de 1 semana.

Parto da mana:

http://www.coisasdemae.eu/2007/09/20/o-melhor-momento-para-nascer-e-quando-nascemos/

E o momento da Maria foi na sexta-feira, dia 14 de Setembro, pelas 22:35.

Maria

O dia começou cedo… Por volta das 6:00 da manhã. A noite fora diferente das outras, ao invés de dormir seguido, acordei quase de hora a hora para ir à casa de banho… Mas não havia dores. Só às 6:00 é que comecei a sentir as primeiras contracções. Deixei-me ficar na cama a fazer a respiração de relaxamento e a pensar: “Será hoje?” As contracções vinham leves ainda, mas ritmadas e de com uma cadência entre 5 e 10 minutos. Cerca das 7 da manhã o Pai acordou e ficou a fazer-me companhia. Concluímos que não devíamos ir trabalhar pois o dia prometia surpresas. Por volta das 8:00 resolvi ligar ao Parteiro, pois era nossa intenção que a Maria nascesse em casa, e ver com ele como estariam as coisas. Pela descrição que lhe fiz, ele disse que estava a vir para cá. Como eu ainda tinha coisas de trabalho para tratar , aproveitei a manhã para tratar delas online – enviar mails, algumas indicações para trabalho a decorrer, etc… Quando as contracções vinham, eu parava, respirava e depois continuava :) . Cerca das 11:00 chegou o Parteiro que nos disse que não faria qualquer observação manual naquele momento pois iria apenas ver como eu estava e esperaríamos a ver o que acontecia – sim, porque poderia ser apenas um falso trabalho de parto (TP)! E então cá ficámos em casa… As contracções mantinham-se entre 5 e 10 minutos, perfeitamente suportáveis.

Chegou a hora do almoço. Só me apetecia cozidos e foi o que o Pai cozinhou: polvo com batatas e ovo. Mas o Parteiro alegremente disse: “ou muito me engano, ou não vais comer isso tudo!” Dito e feito! Quando comecei a comer, as dores aumentaram e fiquei com náuseas… Depois do almoço deles, pois eu já não comi mais, fomos ver como estava a dilatação: 5 cm! Boas notícias, já podia ir para a banheira e relaxar com a água quente. E foi isso que fiz: velinhas para dar luz ambiente, água bem quente, incenso e relax. Mas como alguma coisa tinha de correr mal – a lei de Murphy é infalível! – o esquentador pifou! O Pai conseguiu resolver o problema manualmente mas houve a visita de um técnico de reparação de esquentadores ainda nessa tarde! Mas continuando… Entrei na piscina e relaxei… Quando vinham as contracções, deixava que a dor percorresse a barriga e tentava não contrair nada – tinha que deixar o meu corpo trabalhar! Entretanto chegaram as Doulas que deram uma ajuda extra – a colocar mais água na minha barriga a cada contracção e a dar palavras de incentivo. E assim fui até cerca das 18:00, altura em que o Parteiro fez novo toque: 9cm! Quase, quase, tudo pronto. Mais um bocadinho e iria ver a minha menina, pensei!

Demorou mais um pouco até ter os 10 cm – OK para começar a puxar! E começou o período expulsivo. A cada contracção, que nesta altura eram bem dolorosas, tentava empurrar a Maria para fora do útero, mas ela não descia… Periodicamente, o Parteiro ia medindo os batimentos cardíacos dela, que continuavam óptimos, o que nos dava segurança para continuar. Saí da banheira para o quarto e continuei a puxar, e ela continuava a não descer. “Vamos lá ver o que se passa!” E o que se passava era que a Maria, ao invés de estar na posição correcta para se nascer – de nariz para o chão – estava de nariz para o céu. Significa que o período expulsivo poderia ser longo, devido à dificuldade em descer o canal de parto. Mas como tudo estava bem com o bebé, continuámos. Estive em período expulsivo, em diferentes posições, durante 4 horas. Durante esse tempo o Parteiro tentou, por diversas vezes, girar a cabeça da Maria de modo a que ela se posicionasse de outra forma. Mas ela é teimosa e não girou! Eu começava a ficar completamente exausta e as contracções, em vez de ficaram mais efectivas estavam a diminuir de intensidade. E por fim, a bolsa rebenta completamente e apresenta uma cor esverdeada – informação que o Parteiro não me deu na altura para não me afligir. Nessa altura foi tomada a decisão de irmos para o Hospital, pois em casa já não seria totalmente seguro devido à sua posição e ao mecónio no líquido (sendo que a presença de mecónio pode indiciar uma de duas coisas: maturidade do bebé – ou seja, já estando completamente desenvolvido, controlando os seus músculos, teve vontade de fazer o seu cocó, ou então, sofrimento fetal), embora os batimentos cardíacos dela se mantivessem óptimos.

A minha questão na altura foi: “E como é que eu vou, assim, para o Hospital?” – O Parteiro respondeu: “Não te preocupes, vou contigo atrás no carro, se a bebé quiser nascer, eu faço o parto!” E lá fomos nós! Ainda tive contracção no elevador, na entrada do carro e pelo caminho! O carro voava, em marcha de urgência pela cidade de Braga (é incrível que as pessoas no trânsito são mesmo lixadas. Verem um carro, com os 4 piscas ligado, a dar sinais de luzes e a andar em velocidade, e não se desviam!!!), chegámos ao Hospital em menos de 7 minutos. O Pai correu pela urgência a dizer: “A minha mulher está a ter um bebé!” e rapidamente uma cadeira de rodas me veio buscar e levar à sala de partos. Foi um alarido! “Está a chegar uma mãe em TP!!” Parecia um filme! Quando chego mesmo à beira da “simpática cadeira” de partos, veio outra contracção e eu disse: “Vou puxar” e o enfermeiro responde em pânico: “NÃO PUXE!!” – pois ele não sabia se eu tinha ou não a dilatação completa, mas eu continuei a puxar. Subi para a cadeira, ele fez o toque e: “Ok pode puxar.” Na próxima contracção eu puxei e ele viu o cabelinho da Maria, mas eu já não estava capaz de fazer mais força e as minhas contracções já estavam a tornar-se espaçadas demais. Tentaram administrar-me ocitocina, mas as minhas veias colapsaram e não era possível. Então a solução foi: episiotomia mais a manobra de empurrar o bebé. Veio outra enfermeira para carregar na barriga, eu puxei na contracção e o enfermeiro deu o corte. Nesse momento eu gritei! Muito! E a enfermeira que me carregava na barriga gritou ainda mais a dizer “Não grite, não grite!” (esta é daquele tipo de situações totalmente desnecessárias e desadequadas, enfim… Mas já esqueci essa dor.) E em poucos segundos, eu ouvi: “Nasceu!” senti como que uma sensação de vácuo. Esperei ouvir o choro, que demorou uns segundos que para mim era a eternidade. Estavam a aspirá-la. Assim que terminaram, ela começou a chorar, primeiro devagarinho, depois em plenos pulmões. Os meus olhos encheram-se de lágrimas e eu senti-me a mulher mais feliz do mundo. Foi um momento único, lindo, e indescritível. Eu só não percebia era porque não ma davam para dar de mamar. Explicaram-me que primeiro iam cuidar de mim, e dela. E nasceu com 3,350kg, 47 e APGAR 9/10!

A partir daqui, foi esperar a placenta sair, verificar de estava tudo bem internamente, coser o corte – “Não me vai coser a sangue frio, pois nã0?” “Não! Vamos pôr o sangue a aquecer primeiro!!” Conseguiram, finalmente, aplicar-me o soro com um medicamento para o útero contrair, aplicou a anestesia local e começou a coser. Foi um momento doloroso, suportável porque me pus a olhar para a Maria :)

E finalmente, deram-me a Maria para mamar. Outro momento inesquecível! Ser capaz de alimentar a nossa filha e ver a sua carinha de satisfação! :) E lá ficamos os três: eu, o Pai e a Maria num momento que podia ter ficado parado no tempo para sempre.

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Impressões:

- realizar todo o TP em casa foi a melhor opção. Estive sempre à vontade, pude movimentar-me, beber água, estar no meu ambiente, com luz baixa e pessoas que respeitaram o meu espaço. Não fui constantemente tocada, nem mexida. Senti-me sempre segura e confiante de que era capaz! Foram 16 horas e 30 minutos de TP, 8 das quais em TP activo (com mais de 3 cm de dilatação) e eu sinto que passou muito rápido!

- o Parteiro que me acompanhou é, sem dúvida, das melhores pessoas que conheci nos últimos tempos. Um ser humano fantástico, excelente profissional, domina a técnica, e transmite toda a segurança e confiança necessárias. Para o/a próximo/a havemos de conseguir!! ;)

- o hospital: para mim, é uma violência. Não há respeito pela Mulher, pela Mãe que ali está. Não passamos de mais uma… Há barulho, gente a entrar e a sair! Fiquei convencida que recusar uma epidural num hospital, isso sim, é um acto de coragem! pois quando se está naquele ambiente, presa ao CTG (que nunca me puseram), com soro e ocitocina, as dores serão, com toda a certeza muito superiores ao que eu senti, simplesmente porque não há calma… Claro que foi graças ao hospital que a minha menina aqui está, mas o que quero transmitir é que há um grande e longo caminho a percorrer no sentido da humanização destes espaços.

- ficou uma memória linda do dia 14 de Setembro. Foi o dia mais bonito, mais completo e mais engrandecedor que poderia ter vivido. Quando lembro, a ideia que me ficou foi a de paz e tranquilidade.

Para quem puder ir assistir :)

workshop “Resgatando o Parto Natural”
29 de Setembro 2007 pelas 14h30m

Centro de yoga e bem-estar – Figueira da Foz

Os desenvolvimentos que foram acontecendo, em especial a partir da segunda metade do século passado e em particular na área da saúde, e que nos acompanham na actualidade, têm sido colocados à disposição do ser humano no sentido de dar respostas a algumas das suas necessidades. Verifica-se contudo que todos estes recursos têm vindo a ser utilizados de forma indiscriminada, traduzindo muitas das vezes modificações do comportamento humano.

O parto tem sido dos exemplos mais paradigmáticos do quanto o recurso à tecnologia e ao medicamento foi modificado na sua essência. De um processo natural e humano, foi transformado em processo patológico que necessita de internamentos, medicamentos e actos médicos complicadíssimos.
O resgate do parto como evento natural e humano impõe-se hoje à alternativa do parto medicalizado e intervencionado no sentido de devolver à mulher o protagonismo deste evento e o poder do momento.

Objectivos do workshop:
- Conhecer as diferentes perspectivas do parto nos nossos dias;
- Obter informações sobre o parto nos nossos dias;
- Conhecer quais as ajudas que se pode ter na assistência ao parto;
- Conhecer as vantagens para a mulher, família e sociedade do parto natural;
- Desmistificar tabus e mitos sobre o parto;
- Conhecer métodos de alívio da dor no parto natural;
- Conhecer diferentes formas de parto no parto natural;

Intervenientes:

Aleksandra Berg
Antropóloga da Cultura especializada em Antropologia da Saúde e Doula da Associação de Doulas de Portugal. Ainda durante os estudos integrei a equipa do European Environment Centre, em Varsóvia, ONG dedicada à sensibilização ambiental a nível europeu. Em 2001, numa parceria com a associação Quercus, viajo para Portugal e desenvolvo o projecto de voluntariado europeu “Pensam que é por milagre – Usos da Natureza na Cultura Popular das Beiras”. Fui bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) no projecto de investigação “Vivências de Saúde e Bem-Estar” na Universidade Aberta, que incidiu sobre os hábitos de vida e suas implicações na saúde.

António Manuel Rodrigues Ferreira

Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstétrica a trabalhar no Bloco de Partos de uma Maternidade Central e, como Professor convidado, no Instituto Superior Jean Piaget de Viseu na Escola Superior de Saúde. Mestrado em Ciências da Enfermagem, Pós-graduação em Pedagogia da Saúde, Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde, Formação de Formador, Formação/Formador em Aleitamento Materno.

Cristina Pires da Silva
Doula da Associação de Doulas de Portugal, Engenheira Civil de formação académica. Delegada distrital da Humpar (Associação Portuguesa de Humanização do Parto) do distrito de Coimbra. Fez formação de Doula pela Associação de Doulas de Portugal e pela DONA International (Doulas of North América). Como Doula oferece apoio emocional, informativo e físico a mulheres na gravidez, parto e no pós-parto. Autora do blog “Sobre(viver) a Cesariana” (http://sobcesaria.blogspot.com/ <http://sobcesaria.blogspot.com/> ) que trata de questões sobre humanização do nascimento e colaboradora
no blog da Associação de Doulas de Portugal (http://doulasdeportugal.blogspot.com/). Criou um fórum de apoio
direccionado especialmente para mulheres submetidas à cesariana e grávidas. É mãe de um menino com 2 anos.

Mary Zwart

Parteira Holandesa. Graduada pela “Amsterdam Midwifery School” em 1969. Recebeu formação de enfermagem no Leiden Academic Hospital. Exerceu a profissão de forma liberal de 1973 até 1996. Desde 2000 que participa num movimento pela humanização do nascimento no Brazil. É fundadora da European Perinatal School assim como é membro da European Network of Consumers and Childbirth Educators and the Coalition for Improving Materity Services. Mary gosta de ensinar obstetrícia internacionalmente e recentemente voltou a exercer a profissão de parteira. Tem uma filha e gosta de colecionar todo o tipo de objectos obstétricos.

Para inscrições:

Centro de Yoga e bem-estar
Pr. General Freire de Andrade (Praça Velha) 20 1º
São Julião – Figueira da Foz
telefone: 91 423 80 10
email: tao.centro@gmail.com

Preço por pessoa:25 euros
preço por casal: 40 euros

Ontem foi a primeira aula de preparação para o parto! Adorei!

baby bathTema: “Cuidados de Higiene com o Bebé” – como dar banho, problemas de pele mais frequentes, como cuidar do coto umbilical, cuidados com o rabinho, fraldas etc. Já deu para perceber que muitos produtos realmente não fazem falta: um gel de lavagem corpo e cabelo + um leite hidratante e um creme barreira para o rabiote resolvem o problema! Agora é só escolher a marca… :) Havia muita coisa que eu já sabia, mas foi muito interessante. Mas quase que é preciso um livro de instruções sobre como dar banho! Estavam lá muitas barrigudas quase quase no final do tempo, que inclusivé iam ter aulas extra de respiração!

Mas o melhor de tudo foi no final, em que nos fomos inscrever. Estivemos lá mais de uma hora só a conversar com a enfermeira que é um amor. Tema da conversa: Parto Natural. Ela é totalmente a favor da experiência e contra a instrumentalização que reina nos nossos hospitais. Embora tenha afirmado peremptoriamente que o Hospital de Braga tem uma política muito intervencionista e que só com muita sorte se consegue um parto humanizado por aquelas bandas. Por isso mesmo nós estamos a planear ir para o S. João. Falámos sobre a Holanda onde o número de partos em casa é muito elevado. “E se acontece alguma coisa? Chama-se a ambulância!”, respondem os médicos holandeses. Conversámos sobre problemas que podem surgir, sobre a necessidade da indução, em que casos ela é aconselhável – quando a mulher já ultrapassou o tempo total de gestação e há indicação que o bebé não esteja bem, ou quando não há dilatação. E ela lá relembrou que as dores provocadas eram bastante piores que as naturais… Mal posso esperar pela próxima aula!! Sem dúvida, ontem foi muito interessante! :)

Para todas mamãs exercitar a musculatura do períneo é uma das tarefas de preparação para o parto! Um períneo fortalecido irá ajudar a suportar todo o peso acrescido dos nossos babys e na recuperação pós-parto, sendo um auxílio precioso na prevenção da incontinência urinária!

musculatura do períneo

Durante a gestação, a musculatura do períneo sofre um prolongado teste de resistência ao sustentar, além dos órgãos pélvicos, o bebé, o novo útero e todos os demais anexos embrionários (placenta, cordão umbilical, etc). Normalmente este aumento deve ser de 11 Kg, mas muitas vezes chega a chegar ou ultrapassar os 20 Kg!

Neste período, um períneo bem fortalecido oferece um apoio maior ao útero, o que reduz a pressão sobre a bexiga e diminui as dores lombares, especialmente nos últimos meses de gravidez. De forma semelhante, uma musculatura do períneo forte permite uma recuperação melhor e muito mais rápida no pós-parto. Recentemente, inúmeros estudos têm demonstrado que as lesões nesta musculatura são independentes do tipo de parto, mas estão ligadas directamente ao período expulsivo. Durante muito tempo pensou-se que a episiotomia era a melhor arma contra as distensões do períneo e uma das suas principais consequências: a incontinência. Ultimamente, com o passar do tempo, e diversos estudos, chegou-se à conclusão que essa intervenção não tem feito baixar o número de casos de incontinência e já se está a por em causa a eficácia deste procedimento que se tornou numa prática rotineira nos nossos hospitais.

A sexualidade e o períneo
Um dos aspectos mais importantes da recuperação pós parto é a “reconciliação” com o seu próprio corpo, especialmente com a zona genital. Depois do parto, o retorno da vagina às suas dimensões normais e consequentemente a qualidade das relações sexuais, está ligada à tonicidade do períneo.

Este é um dos benefícios, subtis e pouco abordados pelos médicos, da reeducação perineal, que é essencial depois de um parto.

Porquê exercitar?

Os exercícios de Kegel trazem inúmeros benefícios à mulher, resultantes do condicionamento da musculatura do períneo, que se distribuem igualmente tanto pela gravidez como no período pós-parto.

- À medida que exercita os músculos do pavimento pélvico vai aprender a controlar e mesmo relaxar os músculos vaginais, constituindo grande ajuda para o trabalho de parto e período expulsivo propriamente dito.

- Previnem a incontinência urinária de stress, definida como perda involuntária de urina, muitas vezes na sequência de acessos de tosse, espirros ou esforços físicos. Existem várias causas que contribuem para o compromisso da continência urinária, sendo uma das mais notáveis o parto, que pode resultar numa lesão neuromuscular esfincteriana do pavimento pélvico. De acordo com achados de estudos neurofisiológicos o stress mecânico sobre as fibras musculares induzido pelo parto por via vaginal é um dos principais factores responsáveis pela incontinência urinária em mulheres adultas. Neste contexto, os exercícios de Kegel ganham especial relevância, uma vez que auxiliam a restaurar o tónus e a força dos músculos pélvicos no puerpério.

- Melhoram a circulação sanguínea vaginal diminuindo o tempo de cicatrização de lesões no períneo.

- Potenciam o prazer das relações sexuais pós-parto.

- Previnem o prolapso uterino, cistocelo e rectocelo (protusão do útero, bexiga e recto para o exterior, respectivamente)

Como exercitar?

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Hoje (domingo) foi o dia de conhecer a minha Doula, que por acaso até são duas :) isto porque uma delas está grávida e por isso trabalha em equipa :) – quem não conhece o conceito pode consultar o site da Organização das Doulas de Portugal e obter mais informações acerca do parto humanizado no site da HumPar.

Desde que descobri que estava grávida e que comecei a informar-me sobre a experiência da gravidez e maternidade que achei fantástico o trabalho desenvolvido pelas Doulas. Depois da consulta de 2ª feira passada decidi-me, por fim, que queria estar acompanhada por uma. Contactei a HumPar que rapidamente me forneceu os dados da Doula que acompanha gravidezes na zona Norte. Falei com ela durante a semana e marcámos para domingo de manhã na Fundação de Serralves (uma óptima escolha, pois embora já me tivessem dito 150 vezes que era um local fantástico, ainda não tinha tido a oportunidade de visitar!). Encontrámo-nos por volta das onze e meia e estivemos calmamente todos sentados na Casa de Chá a conversar sobre a temática que nos juntava – parto e gravidez :) . Uma das Doulas acompanhou a semana passada um parto no HSJ e assegurou-me que realmente as coisas estão a mudar no sentido de um maior respeito pelo acto de parir e nascer. Cada vez mais fico confiante nas opções que estou a tomar. Acredito que são o melhor para mim e para o meu bebé, só espero que a Natureza não nos pregue nenhuma partida!!

Daqui para a frente, deverei encontrar-me com elas algumas vezes, sendo que me disseram que estão disponíveis via telefone ou email para o que precisar. A sua ajuda será, com certeza, imensa quando a hora H chegar :)

Boa noite.

P.S. Passei também na Fnac onde li o primeiro livro da colecção Baby Blues – Isto é pior do que o que pensávamos (não é bem assim o título, mas o conceito é este) – é de rir, mas ao tempo assustador! E aproveitei para me munir de um livro de instruções para bebés que é um livro que com humor aborda os diversos assuntos ligados a um recém-nascido. Trouxe também um livrinho chamado “Brincadeiras para Bebés – jogos simples que os ajudam a aprender” com joguinhos que estimulam o desenvolvimento dos bebés.

Hoje foi um domingo em grande e terminou com um belo jantarinho, da autoria do Pai, com bacalhau assado e batata a murro… hmmm que delícia :)

Hoje foi dia de consulta e ecografia morfológica! Depois de duas horas e meia de atraso na entrada para o consultório :S lá fomos ver o nosso Baby! Desta vez a minha mãe e avó babada também esteve presente!

Maria com 22 semanasPois está confirmadíssimo que se trata de uma menina! A partir de agora já posso comprar coisinhas cor-de-rosa :) . A médica fez todas as medições, tudo aparentemente ok! E trata-se de um bebé comprido! As medições dos ossos – fémur, tíbia, úmero, etc, – todos apresentaram valores acima do padrão. A nossa filhota já vai nascer alta ehehehe. Em termos de peso, estima-se em 517gr. Gostei tanto de a ver a mexer e até deu para tirar uma fotinho a 3D! Pena não dar para ficar ali muito muito tempo a ver a minha Pequerucha! Mas estou tão feliz por estar tudo bem!!

Depois chegou a hora da pesagem da mãe – 72Kg, apenas 4 klos desde o início :) Mas os grandes desafios vêm a seguir… Agora é que a Pequerrucha vai crescer! Já trouxe indicações para as análises do 2º trimestre + receita para daflon :( e meias de descanso… porque as pernas já estão a inchar.

Hoje resolvi abordar a questão do parto. Estou bastante inclinada para ter a Pequerrucha no Hospital de S. João no Porto, por diversas razões:
- é o melhor e mais completo hospital do norte do país;
- ainda não vi comentários negativos;
- implementaram um novo protocolo de partos em que as parturientes têm poder de decisão sobre algumas das intervenções realizadas durante o parto.
Falei então à minha médica nestas razões, com as quais ela concordou à excepção da última… Ela não é apoiante dos partos naturais, embora me tenha dito que eu devia ter o parto que desejo! Que a ser no HSJ não será ela a acompanhar a não ser que esteja de urgência :( e na Ordem o parto à partida é induzido – e isso eu não queria a não ser que seja mesmo muito necessário… Ou seja, saí de lá bastante triste com a posição dela… Mas vamos lá ver como as coisas se proporcionam… Vou continuar a ler sobre o assunto do parto humanizado e vou tentar informar-me sobre como está a correr no HSJ.

Boa noite!