
Archive for Setembro, 2008
A semana passada a Maria regressou à sua rotina: voltou à creche. Na terça foi o primeiro dia (na segunda passei só por lá para entregar as fraldas e as toalhitas e conhecer a nova educadora e auxiliar). Quando chegámos, a Maria olhava para tudo, como se já não se lembrasse do local. Ficou meio relutante quando a educadora lhe estendeu os braços mas uma bolinha convenceu-a a passar para o colo dela. Saí, ela atirou-me um beijinho e ficou. A minha mãe foi lá buscá-la à tarde. Disseram-lhe que ela esteve em geral bem, comeu bem (ehehehe, como sempre), dormiu mais ou menos e chorou um pouco de tarde, pois os outros meninos começaram a chorar também, e ela resolveu fazer coro.
Os outros dias correram melhor. Na sexta até já se riu para a S. É tão bom quando é assim…
Entretanto, perguntaram-me se a Maria não tinha sapatos. Isto porque ela tem andado de meias anti-derrapantes. Já tentei arranjar sandálias para ela, mas como o seu pezito é gordito e o peito do pé é alto, as sandálias não lhe servem ou então a loja não tem número para ela. Decidi então, que ela andaria o mais possível descalça até andar sozinha. Comprei contudo, seguindo a ideia da Mamã Peixinha, 4 pares de meias sapatos (2 rosa, 1 laranja e 1 azul) para ajudar à tarefa árdua de não escorregar!
Para quem não conhece, compram-se na Zippy ou na Modalfa (é tudo a mesma coisa) e custam 7,95€
“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que elas acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”
(Fernando Pessoa)
Encontrei esta frase e sem dúvida aplica-se ao que estamos a viver. Durou pouco em relação ao que eu desejava que fosse, mas foi intenso.
(vou ter que secar o leite com um medicamento, estou com bastantes dores…)
E aos 11 meses e três semanas terminou a amamentação. Há três dias que não quer mamar, vira a cara e fecha a boca quando vê a mama. Assim, de repente, sem razoões aparentes. Uma manhã mamou, à noite já não quis. Estou muito triste porque sempre imaginei que ela mamaria até ser maiorsinha. Todavia tenho que respeitar a sua vontade.
Já busquei aconselhamento e o que me dizem é que, embora raramente, há crianças mais independentes que de desmamam cedo e sozinhas. Assim aconteceu com a Maria. Doi-me não ter tido a oportunidade de me “despedir” daquele momento tão maravilhoso. Ficam as memórias da expressão de felicidade a mamar, da paz e calma que nos inundava. Vou sentir saudades de ouvir o barulhinho do sugar do leite, da mão no meu peito enquanto a outra descansava nas minhas costas, da respiração, dos pezinhos cruzados, tudo conjugado em momentos perfeitos.
Está a crescer a minha pequena… e tão rápido.
Estou muito triste embora saiba que a minha missão foi cumprida.
Hoje pela primeira vez, a Maria não quis mamar. Como de costume, no fim do banho fui deitá-la e antes de dormir mama sempre. Hoje não quis. Virou a cara e reclamou. Espero que estivesse apenas sem fome e que isto não seja o início do desmame. Quem não está preparada sou eu…
Fiquei tão triste…

