é preciso encher o mealheiro da Maria

é preciso encher o mealheiro da Maria

São oito da manhã e já estou acordada desde as 7… Sem sono e três gatos aos saltos pela casa não ajudam! Mas hoje é sexta, fazemos 36 semanas de Maria e o fim de semana avizinha-se interessante:
- encontro com as doulas ![]()
- comprinhas de alguns pormenores, nomeadamente do saquinho de dormir;
- continuação da saga da arrumação – já comecei a trazer as roupinhas da casa da minha mãe!
- mais arrumação;
- jantar de amigos no sábado com pokerzada? hmmm??!!
- mais amigos no domingo à tarde que vêm visitar a barriga e ver o quarto da princesa ![]()
- e mais arrumação!!!!
Ai se eu vejo isto tudo arrumado e limpo até penso que é mentira!
Neste momento, no quarto da Maria falta:
- colocar os estores;
- colocar a poltrona + manta + almofada;
- arrumar a roupa;
- limpar os vidros e parapeito da janela (segunda-feira a d.C. vem cá de propósito fazer essa tarefa, que eu e tarefas domésticas temos uma relação amor/ódio – amor quando não tenho de as fazer, ódio quando as faço);
- dar um retoque final e artístico nos cantos da pintura;
- e mais nada! acho…
O resto da casa também está de pantanas… Com as montagens dos móveis… Muito papel para o ecoponto ehehehe
E a minha consulta das 36 semanas foi adiada para as 37! A recta final……………
Achei esta entrevista super interessante, por isso a transcrevo para aqui.
Saiu na Visão nº 588 de 9 Jun. 2004.
Sheila Kitzinger
QUEM É: Professora de enfermeiras obstetras, SheilaKitzinger , 75 anos, corre mundo a falar da experiência do parto. Filha de uma parteira – que criou uma das primeiras clínicas de planeamento familiar, no Reino Unido –, percebeu, quando entrou para a faculdade, em Oxford, que toda a antropologia social andava à volta de visões masculinas.
CONDECORAÇÕES Agraciada com a Ordem do Império Britânico, pelos seus serviços à educação sobre o parto.
LIVROS Mais de 20. Três – Mães, A Experiência do Parto e Um Estudo Antropológico da Maternidade – estão disponíveis em português.
Polémica, esta antropóloga social conseguiu pôr o nascimento na lista de prioridades dos políticos
Mãe cinco vezes e avó outras três, sempre de bebés nascidos em casa, Sheila Kitzinger não tem dúvidas de que o parto pode ser uma experiência altamente sexual. Para a antropóloga social, obrigar as mulheres a parir numa cama é «uma tortura» e a generalização da episiotomia (corte do períneo para evitar rasgões naturais, durante o parto) é a «mutilação genital feminina» do Ocidente. Assim fala a mulher referida pelos jornais britânicos como MotherofBirth (mãe do parto) do Reino Unido e graças a quem o seu país se tornou um dos mais avançados em termos de prática obstétrica.
Visão: O que fez para ser considerada a «mãe do parto», no Reino Unido?
SHEILA KITZINGER: No passado, o nascimento era considerado uma acto pessoal e biológico, tão antigo que não havia nada para dizer sobre ele. Eu fui a primeira pessoa a falar do parto como uma experiência. Não importa apenas se a mulher e o bebé estão vivos e de boa saúde, mas também como foi a experiência para a mãe. Isso tem implicações na forma como vai encarar a maternidade, a sua relação com o bebé e com o pai. Comecei a falar disto há 40 anos.
O que há de novo, na experiência do parto?
O nascimento tem a ver com a política, a identidade das mulheres, a forma como se relacionam com os homens e com os profissionais. Quando uma mulher dá à luz, é o parto dela, o bebé dela, o corpo dela. Devia poder escolher o que quer que aconteça. A grávida devia poder escolher uma parteira e só ter um obstetra quando há riscos envolvidos. São mais seguros os cuidados de uma parteira, desde a gravidez até ao nascimento.
Como é que o trabalho de uma parteira é mais seguro do que o de um obstetra?
As parteiras são especialistas em partos normais. Os obstetras, em partos anormais. Quando se trata o parto normal como se fosse anormal, acaba por se fazer dele anormal: intervém-se, administram-se drogas, estimula-se o útero para uma actividade artificial. E isso é perigoso.
Que perigos têm essas intervenções médicas?
Quando se estimula o útero de forma desnecessária, pode-se bloquear o fluxo sanguíneo na placenta, o que reduz o sangue oxigenado para o bebé. Além disso, as contracções são muito dolorosas e as mulheres não as conseguem controlar com relaxamento e respiração. Acabam por precisar de drogas contra a dor. Com essas drogas vêm outros efeitos secundários. É um ciclo. Uma intervenção leva a outra e acaba-se com um parto medicamente assistido.
A maioria das mulheres portuguesas não se queixa de assistência a mais, mas de ninguém as ter ajudado a ter um parto menos doloroso e mais rápido.
O que interessa não é ser mais rápido. Quanto mais rápido, mais doloroso. Se se queixam de muitas horas de trabalho de parto, é porque foram cedo demais para o hospital. Acredito muito no parto em casa. Há provas de que é seguro, quando não há gravidez de risco.
Como se define o risco?
Diabetes, bebés prematuros (menos de 37 semanas de gravidez), mulheres com hemorragias, tensão alta ( pré-eclampsia ).
Esses são os riscos predeterminados. O problema pode surgir durante o parto, como o cordão umbilical à volta do pescoço…
Quando o cordão está no líquido amniótico, é como spaguetti no molho. Se se rompem as águas para acelerar o trabalho de parto artificialmente, o bebé desce muito rapidamente e aí o cordão, pode, de facto, estrangular o bebé. Mas, normalmente, o cordão flutua no líquido amniótico e pode estar à volta do pescoço do bebé sem que haja perigo.
E os bebés que não deram a volta para ficarem em posição fetal?
Sim, isso é um problema. Nesses casos, pode fazer-se uma cesariana, mas é melhor voltar o bebé com as mãos.
Como?
Chama-se inversão externa. Pode fazer-se depois das 37 semanas de gestação ou no início do trabalho de parto. Primeiro, massajam a mulher, de forma a que ela fique muito relaxada; a seguir, fazem-na balançar as ancas; e, depois, o médico empurra o bebé pelo rabo e roda-o, aos poucos, até que ele dê a volta, tudo com as mãos em cima da barriga da mãe. Os médicos deviam aprender a fazer isso.
Parece um método muito falível.
Há bebés que voltam à posição inicial, porque gostam mais de estar assim.
Nesse caso, a cesariana impõe-se?
Pode fazer-se cesariana ou um parto normal, desde que seja de pé. O bebé fica pendurado com as pernas de fora até que a cabeça saia devido ao peso do corpo.
É outra forma de ter um bebé de rabo.
Esta solução seria mais perigosa?
Não. Depende do tamanho do bebé e do canal pélvico da mãe.
Para isso tudo, são precisas parteiras com muito boa formação.
Sim, claro. Neste momento, ainda não é assim em Portugal. Brevemente, terão três anos só para se especializarem em partos, o que deverá ser suficiente.
Ainda assim, todas essas alternativas parecem coisas arriscadas do passado, que já ninguém se atreve a fazer.
Vocês estão tão atrasados nestas coisas, que pensam assim. No Canadá e noutros países mais desenvolvidos, o trabalho das parteiras está a ser ressuscitado. Os obstetras abordam o nascimento do ponto de vista da patologia. Tratam todas as mulheres como uma ainda-não-doente .
Tendemos a pensar que o obstetra é mais especializado, mais sabedor do que uma parteira.
É verdade, eles são especialistas. Mas podem não saber absolutamente nada sobre partos normais. Alguns nunca viram um.
Será assim porque obstetra é sinónimo de hospitalização?
Sim. Mas, no Reino Unido, as parteiras fazem 70% dos partos nos hospitais. Aqui patologizam o nascimento. Abusam da episiotomia . Feita rotineiramente, é mutilação genital feminina. Falamos da mutilação genital em �?frica, mas nós também a temos. Porquê fazer do nascimento uma cirurgia? Porquê fazer um corte? As mulheres ficam marcadas.
Marcadas, como?
Nos anos 70, fiz um estudo sobre a vivência das mulheres a quem foram feitas episiotomias . Havia muita investigação, mas todas sobre a forma como se faz o corte ou como se cose, nunca sobre os sentimentos das mulheres. Às vezes, o corte é apertado e a costura muito pequena, de forma que não podem ter relações a seguir. Uma episiotomia é um corte de terceiro grau, o que significa que vai até ao ânus. É como um velho lençol, se não se fizer um corte, é mais difícil de rasgar.
O princípio não é o mesmo para o corte natural?
Não. As investigações mostram que não se estende tanto como um corte artificial. Geralmente, a cura é mais fácil, depois de um rasgão natural. O ideal é o nascimento ser mais suave e vagaroso. Aí, gradualmente, os tecidos podem alargar-se, como as pétalas de uma flor ao sol.
Mas, dessa forma, não é mais moroso?
É, mas também mais agradável. Pode ser muito excitante. Isto são os nossos órgãos sexuais.
A versão do sofrimento do parto é muito mais frequente do que a do prazer e excitação.
Que triste! O nascimento é uma experiência psicossexual . O desejo de empurrar o bebé para fora pode ser fortemente sexual. Se a mulher seguir o seu próprio ritmo e estiver em contacto com o útero, pode ser muito excitante. Sim, há dor, mas ela é pouco importante, comparada com a emoção, desde que haja o ambiente certo.
O que é o ambiente certo para um nascimento?
Tem, sobretudo, a ver com as pessoas que estão à volta da mulher. Deitada na cama, fica numa posição terrível. Pior, só pendurada de cabeça para baixo. De pé, pode ser bom, ou de gatas, ou sentada na beira da cama, com as pernas bem abertas, ou mesmo de joelhos. Até o bebé sair, a mulher sente a necessidade de mexer as ancas, de fazer uma espécie de dança do nascimento, o que se torna impossível se for obrigada a estar na cama.
Se toda a gente acha que uma cama de hospital não é o melhor ambiente para se ter um bebé, porque é que continua a ser assim?
Está a mudar, mas não suficientemente depressa. Na Holanda, 30% das mulheres têm os filhos em casa e não é mais perigoso, desde que não haja riscos associados. Só é preciso uma ligação próxima ao hospital, o que deve ser tratado pela parteira. As coisas só mudarão se as mulheres derem as mãos às parteiras e trabalharem juntas, no mesmo sentido. Precisamos de profissionais muito boas para os partos serem mais seguros e positivos para as mulheres e as famílias. Hoje, em Inglaterra, muitas mães têm os bebés numa pequena piscina. A minha filha teve três filhos assim, em casa.
Na piscina, não há o perigo de o líquido amniótico sufocar a criança?
Faz falta mais investigação, porque é uma forma moderna de dar à luz. A grande vantagem de ter um bebé na água é que as margens da piscina impedem outras pessoas de estar em cima de nós. Nos hospitais, há sempre muita gente a dar ordens. Dizer à mulher para fazer força, no momento do parto, é como mandá-la ter um orgasmo quando está a ter relações. Não é preciso. Ela sabe muito bem o que tem a fazer.
É o instinto a funcionar?
É o nosso próprio mundo. Na piscina, somos livres de nos mexermos como queremos.
O meu neto tinha 4 quilos e a mãe nem sequer teve um rasgão. Pôs-se de gatas e o bebé saiu por trás. Não foi preciso ninguém dizer-lhe nada. É muito triste que estas coisas não aconteçam em Portugal! Aqui, transformaram o parto numa tortura, sem necessidade nenhuma. As mulheres têm de fazer pressão para a mudança!
Em casa, não há monitorização do bebé. Como se pode fazer um parto em segurança?
As parteiras têm um pequeno scannerportátel que lhes permite ouvir o bebé, o que fazem de forma intermitente. Não é preciso estar a ouvir o bebé a toda a hora. As investigações mostram que utilizar o scanner é tão seguro como usar um aparelho mais complicado. Até é mais seguro.
Como?
Faz com que a cesariana seja menos frequente. Um dos problemas da maquinaria é ser interpretada de forma incorrecta pelos especialistas.
Tem cinco filhos. Como foram os seus partos?
Nasceram todos em casa. Tive um rasgão com o primeiro filho e precisei de pontos, mas fiquei bem, depois disso. O meu quarto filho nasceu muito depressa, em 40 minutos, por isso foi muito doloroso. No quinto, não tivemos tempo para chamar a parteira. O meu marido estava a filmar e só dizia: «Sorri! Sorri!» E foi o que fiz. Não quis pôr as minhas mãos entre as pernas, porque isso ia estragar-lhe o filme. Por isso, o bebé saiu sozinho. Eles podem fazer isto, quando não estão drogados.
A epidural tem essa interferência?
Em princípio, não. A epidural é boa para as mulheres que estejam com muitas dores e que a queiram. No meu tempo, não havia, mas eu teria odiado não sentir.
O importante é sentir tudo. Se se aprender a fazer isso, através da respiração e relaxamento, é como uma contemplação com o nosso corpo. É como se o útero fosse o condutor e a mulher o maestro da orquestra.
Consegue-se dirigir essa orquestra, num hospital?
Temos de melhorar o ambiente nos hospitais. No Reino Unido, muita coisa está a mudar. A dor é pior, quando estamos presos e nos sentimos um bocado de carne na mesa. Não adianta dizer que não há dores, mas não tem de ser assim. O parto é um trabalho de músculos. Não é dor, mas há dor. Há cada vez mais mulheres a olhar para o nascimento como um trabalho do seu corpo, sem a ajuda do médico.
O que se observa hoje é exactamente o contrário. As mulheres não pedem partos mais naturais, mas, sim, mais cesarianas, para evitar a dor e o risco.
O que é um parto normal? Não é normal pedir a uma mulher para subir para uma cama e fazer o trabalho de parto deitada. O corpo é da mulher. A escolha deve ser dela. Acho que deve ter o direito de pedir uma cesariana. Mas porque é que elas querem cesarianas? Porque lhes é dito que é mais seguro para o bebé, acham que não vão ter dores, é-lhes garantido um obstetra e pensam que a vagina não será afectada e poderão ter sexo sem problemas.
Porque é que o parto acorda tantos medos?
Para muitas mulheres, a primeira experiência foi traumática. Tenho uma rede de apoio em caso de crise do parto, em que respondemos a pedidos de ajuda. Muitas mulheres sentem-se encurraladas, violadas. Isto é mais frequente quando há muita intervenção médica, em especial no que toca a induzir e a acelerar o trabalho de parto. Algumas têm pesadelos e flashbacks, numa segunda gravidez, e sofrem de stresse pós-traumático.
Tem muitas guerras com os médicos?
Não. Nem sempre concordam comigo, mas não estou contra os obstetras. Claro que precisamos deles e alguns são muito bons.
E que bem que se dorme com a barriga a apoiar!
E na quinta, aproveitando que estava no Porto, fui ao Ikea de novo, trocar um artigo que trouxe na cor errada. Como o Pai tinha umas coisas para tratar, eu fiquei na loja e aproveitei para comprar uns leiçóis que me tinha esquecido no dia anterior, e trazer a mesa que estava esgotada. No final das compras, tinha de apanhar um táxi para ir ter com uma amiga. E começou a peripécia… Chego à paragem do táxi e não havia táxi. Volto para a loja, com a saca e com mesa, para pedir um número de telefone para chamar um táxi. Lá chamei, e voltei para a paragem – estava um sol!! Dali a uns 8 minutos, chega o taxista, que por uma razão qualquer parou muito longe de onde eu estava. E ao invés de vir ter comigo, chamou e ficou à conversa com um casal!! E lá vou eu, com barrigão de 8 meses, saca e mesa na mão. Quando chego ao táxi, abre a porta, mas não mete as coisas lá dentro! Eu que me amanhe! E quando eu lhe disse que queria ir para a rotunda do Brasileirão, ele responde: “Ahh isso é ali à frente!” e viro-me eu: “Pois é, se eu não estivesse carregada, com este calor e grávida de 8 meses, se calhar ia a pé!” e vai ele de novo: “Se soubesse que vinha para tão perto, tinha trazido aquele casal!”
Cobra-me 4,70! E ainda se queixa??
Vocês acham isto normal???
Quarta foi dia de Ikea, literalmente dia, pois estivemos lá desde as 11 da manhã e passámos nas caixas às 20:20! Fiquei admirada com a minha resistência! Embora tenha sido brindada com muitas contracções de barriga dura, pois 8 meses de barriga e a andar o dia todo, é bastante violento!
Fomos em excursão! O Padrinho, a Cunhadinha e a minha mãe, a vó Babada, que até meteu um dia de férias para acompanhar a aquisição dos móveis do quarto da Maria. O espaço da loja está muito agradável, e é mesmo de se perder a cabeça! Visitámos todas as secções, almoçámos e lanchámos por lá! Quase que jantávamos eheheh! Comprámos diversos utilitários para a casa e todos os móveis para o quarto: uma cama de grades e respectivo colchão e sobre-colchão, o trocador (com isto e isto), 2 cómodas, uma de 6 gavetas e uma de 4 gavetas, uma poltrona para dar de mamar e um móvel para guardar brinquedos. Tudo em branco! Faltam os objectos de decoração! Mas agora quando estiver tudo montado, é que vou poder olhar e ver o que falta. Viemos carregados!
Estou mortinha por ver tudo pronto e montado! Depois coloco as fotos (aliás já tenho algumas desde o início do processo de pintura).
E a Maria neste momento está assim:
Como menina bem comportadinha e com bom sentido de orientação, lá se colocou na posição correcta! Fiquei tão feliz quando a médica encostou o ecógrafo no fundo da barriga e lá apareceu a cabecinha dela!
Ela deve ter virado mesmo no dia a seguir à última consulta, pois nesses dois dias eu sentia-a a mexer sem parar o tempo todo, só não senti a dor que a médica tinha falado, apenas uma pontada, mais nada! Tão meiguinha esta minha filhota
Em termos de peso, está com cerca de 2.100kg e a médica estima que ela nasça com cerca de 3kg o que faz com que não seja nem grande nem pequena. Está cabeluda e óptima!
Aqui a mãe realmente não necessita de ferro, pois os valores de 12 são óptimos, já trouxe a receita para a análise do Streptococcus grupo B e a indicação para continuar a tomar o magnésio por causa das contracções de Braxton-Hicks que ultimamente andam mais activas, principalmente quando me esforço. Quanto a peso, já vão 12 klos, mas ainda continuo na linha da caderneta da grávida. A ver se não aumento muito mais de peso!
E mais nada… Vemo-nos de novo ou às 36 ou às 37 semanas!
Esta aula foi a continuação da aula em que abordámos o parto normal. Abordou-se a temática do Parto Induzido. Ao invés de falar propriamente sobre a aula, resolvi transcrever uma reflexão de um enfermeiro obstetra acerca deste tipo de intervenção. Podem ver o artigo original aqui, no blog Nascer em Casa.
“O avanço da medicina com a descoberta de novos fármacos, desenvolvimento de novos instrumentos, máquinas e acessórios para actos médicos associado à padronização dos valores fisiológicos em limites cada vez mais convergentes se permite por um lado a monitorização do estar, não permite desta forma uma margem de manobra para que as competências humanas se possam manifestar de forma a compensar certos e determinados desequilíbrios. É óbvio que no combate ao desenvolvimento galopante de uma qualquer doença na pessoa, os medicamentos são hoje ferramentas essenciais no apoio e suporte a essa luta. A questão põe-se e com alguma pertinência, penso eu, o porquê da utilização abusiva desses fármacos no estado de saúde? (…)
Penso ser oportuno, em primeiro lugar, recordar que a Organização Mundial de Saúde refere que a gravidez normal pode ir até às 42 semanas, inclusive, e que deve haver um extremo cuidado na utilização de medicamentos que possam interferir com o desenvolvimento normal de uma gravidez.
Por definição, indução do trabalho de parto é a estimulação e manutenção de actividade uterina, traduzida por contracções regulares e contínuas, e que tem como objectivo expulsar o conteúdo uterino fruto de uma concepção.
O desenvolvimento dos actuais indutores do parto resultaram do conhecimento da fisiologia humana e traduz a necessidade para a sua utilização em casos de extrema necessidade, isto é, quando há risco efectivo para a mãe, feto ou para ambos no decurso daquela gravidez. Situações como pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia, hellp, atraso de crescimento intra-uterino grave ou severo, oligoâmnios severo entre outras situações, justificam de facto a utilização desta terapêutica.
Estes medicamentos têm a capacidade de estabelecerem um padrão de actividade uterina designada por contracções e que tem por objectivo antecipar o parto. Os indutores medicamentosos do trabalho de parto e parto dividem-se em duas grandes categorias: os de acção cervical (que actuam directamente no colo uterino) e os de acção miometrial (que actuam directamente no músculo uterino).
Os primeiros designados por prostaglandinas, tem a função de “amadurecimento” do colo uterino e assim torná-lo facilmente dilatável (melhorar, assim, o índice de Bishop). Não têm uma interferência directa no processo do trabalho de parto, mas faz com que o colo então amadurecido, possa dilatar com facilidade através da utilização dos indutores ocitócicos. Como nota complementar ao que foi referido, acredita-se, hoje, que o processo natural de desencadeamento das contracções uterinas, entre outros factores, se deve à acção das prostaglandinas humanas, que existem fundamentalmente no líquido amniótico, directamente no colo uterino, só assim se consegue explicar porque é que, na maioria das vezes, quando uma mulher tem a ruptura da bolsa amniótica, começa, algum tempo depois, com contracções uterinas e assim se desencadeia, naturalmente, o trabalho de parto.
Os segundos, ocitócicos puros, são medicamentos de síntese laboratorial que tem composição idêntica à da ocitocina, hormona libertada pela hipófise anterior. Tem a respectiva acção junto das fibras musculares do miométrio (músculo uterino) e assim acelerar ou manter aquilo que se designa por contracções uterinas.
Como já foi dito, este procedimento foi desenvolvido para dar resposta ás situações criticas da gravidez, quer sejam elas maternas, fetais ou de ambos. Agora, o que se passa nos dias actuais é que se faz um uso abusivo destes medicamentos e para situações que em nada tem a ver com situações patológicas ou criticas. Muitos dos critérios usados hoje, centram-se fundamentalmente para respeitar o tempo ou presença do médico, porque a mulher é de longe, por causa da programação de datas festivas ou férias, para se “evitarem” complicações e para dar resposta às exigências das mulheres/família (…). Um outro argumento amplamente utilizado é por causa da dismaturidade (o mesmo que bebé velho, isto é, com mais tempo de gestação do que as 42 semanas), para prevenir ou evitar os problemas inerentes a esta situação, contudo verificam-se hoje induções, sem causa aparente, às 39, 38 e até 37 semanas, logo muito longe das 42!
O problema da indução do trabalho de parto e parto vai muito além do simples desencadear e manter as contracções uterinas, arrasta consigo ou desenvolve um conjunto de complicações materno-fetais que podem terminar com consequências gravíssimas para ambos. Este procedimento não é inócuo. Entre outras coisas, não permite que a mulher desenvolva os mecanismos normais, fisiológicos e antagonistas da dor (as endorfinas), obriga a vigilância contínua e necessita a monitorização permanente através do registo cardiotocográfico para se controlarem os problemas associados com o uso destas drogas, por exemplo, a taquissistolia uterina (mais contracções por unidade de tempo do que as que normalmente se verifica), a hipertonia uterina (mais tempo de duração da contracção por unidade de tempo do que normalmente se verifica), a ruptura uterina (rompimento espontâneo da parede uterina por consequência das contracções fortes e contínuas) e o descolamento da placenta (por mecanismo idêntico ao da ruptura).
Num processo de indução de trabalho de parto são desencadeadas e mantidas dores brutais na mulher, muito acima do potencial normal e capacidade de resistência, criando-se assim, facilmente, uma situação de desespero que vai além do simples facto de ter contracções. Se este processo for combinado, isto é, a utilização dos dois medicamentos indutores, por fases, onde primeiramente são colocadas as prostaglandinas cervicais, para amadurecimento do colo, e depois os ocitócicos para as contracções uterinas, pode-se dizer que estamos perante um processo altamente agressivo e desumano para o estar daquela díade, mãe/feto. Daqui se percebe o porquê da mulher suplicar para que seja feito o bloqueio analgésico através da epidural, no fundo, é já uma “necessidade” daquela mulher que deve ser satisfeita. Consequentemente, a epidural, como processo bloqueador, interfere nas capacidades maternas o que pode levar, assim, a outras complicações extremamente graves.
Voltando ainda às consequências da indução, verifica-se na maior parte das vezes aquilo que é designado por inversão de polaridade. Isto é, num processo de trabalho de parto e parto natural a frequência das contracções situam-se em intervalos mais ou menos regulares de 5 minutos, com a duração da própria contracção a não ultrapassar, em média, o minuto de duração, ora, na indução verifica-se uma alteração deste padrão, com contracções mais prolongadas, podendo ultrapassar o minuto e meio de duração, enquanto que se verifica menor espaço de tempo entre as respectivas contracções (observam-se com frequência uma contracção em cada 2 minutos), o que dá uma imagem gráfica de inversão do traçado. Logo, se com menos tempo disponível para que se processe a recuperação útero-fetal, associado às contracções mais duradouras, podemos então imaginar o quanto este processo por si só é violento e agressivo. Se para a mãe, quando castrada nas suas competências, através do bloqueio epidural, passa a suportar esta fase com alguma facilidade, porque não tem o estimulo sensorial de dor (não tiraram a dor, bloquearam a transmissão desse mesmo estímulo, e outros, por inerência, o que dá a percepção de ausência de dor), já o feto é vítima de uma agressividade física sem limites. Se não vejamos, pelo facto dos intervalos de tempo entre contracções ser manifestamente insuficiente para recuperar, é-lhe também suprimido ou diminuída a quantidade de oxigénio e nutrientes necessários para as suas funções vitais (um útero contraído não permite que se efectue as trocas gasosas e nutritivas ao nível da placenta na exacta medida que cada contracção estrangula por um lado os vasos que fazem chegar o sangue materno e por outro os vasos que levam o sangue ao feto), pelo que é facilmente levado ao completo esgotamento de todas as suas reservas, o que o faz entrar na fase designada por sofrimento fetal. Por aqui se consegue perceber da necessidade imperiosa de haver sempre um neonatologista por perto, porque um bebé esgotado não consegue e nem é capaz de fazer uma boa adaptação à vida extra-uterina o que exige por isso, muitas vezes, a execução das manobras de reanimação neonatal. Se a isto se associar a dor que possa ter, devido à colocação de uns fórceps, ou ventosa ou até de ambos, não temos, assim, a capacidade de imaginar o sofrimento que este delicado ser é vítima quando da saída do ventre de sua mãe.
(…)
Assim a consequência de um acto que muitas vezes tem como argumentação “o dar uma ajudinha para o bebé nascer” ou “pronto já chega de gravidez”, pode-se transformar por um lado num dos piores momentos e vivências para a mulher que deseja ter uma experiência maravilhosa com o nascimento do seu filho e por outro, para o bebé, é vitima de uma agressividade desmesurada. Podemos assim compreender a natureza das verdadeiras histórias de terror e de pesadelo relatadas por inúmeras mulheres quando revivem mentalmente os seus partos.
Hoje conhecem-se formas naturais de induzir um trabalho de parto e parto, sem recurso a drogas violentas, estão descritos mecanismos pelos quais se pode desencadear este processo, porque não, então, utilizá-los?
O parto humanizado tem como base o não recurso a agentes terapêuticos como coadjuvantes do processo de nascimento, assim como respeita a fisiologia e o tempo de nascimento, por isso se explicam as tão baixas taxas de problemas materno/neonatais a quem opta por esta alternativa.
(…)”
Estão assim, em parte explicados os 70% de partos por ventosas, fórceps e cesarianas que ocorrem nas nossas maternidades…
Creio, pelo que tenho lido em diversos relatos de trabalhos de parto, que este panorama é mesmo muito normal… E pelas conversas e comentários que tenho lido, as mamãs não têm mesmo noção dos riscos que se corre com a indução…
A aula de segunda-feira foi uma aula de dicas acerca de maternidade, isto porque era suposto ser uma aula prática mas as mamãs era todas muito “novinhas”, ou seja todas com menos de 36 semanas, logo não podíamos treinar o período expulsivo. Ora então seguem algumas dicas:
- leite de mama congelado deve ser descongelado à temperatura embiente, pois assim dura 2 a 3 dias. Caso seja descongelado no microondas deve ser consumido no mesmo dia;
- o banho do bebé deve ser quando nos der jeito, e de preferência depois do bebé mamar, pois caso contrário se estiver com fome, não vai gostar do banho e vai chorar, pois a sua prioridade é o estômago – não há perigo de indigestão pois a temperatura do corpo e não há problema em submergirmos o bebé na água, deixando apenas o nariz e boca de fora! Esta deve ser uma tarefa que os pais realizem, porque têm mãos maiores, o que dá mais segurança ao bebé. Quando os bebés se sentem inseguros, basta colocar uma mão no peito e fazer uma certa pressão, que eles costumam acalmar;
- como cuidar do cordão umbilical: lavar e limpar com gaze esterelizada seca e evitar até colocar álcool a 70º. Deixar o coto umbilical o máximo de tempo ao ar;
- cinta pós-parto vs faixa: ao que parece actualmente o uso da faixa está contra indicado, pois principalmente no caso das cesarianas, começa a enrolar e deixa a cicatriz de fora. No caso das cesarianas, o uso de sinta é indicado pois ajuda muito na mobilidade da mãe, no caso dos partos normais, ajuda a suportar a bexiga e o útero. É claro que as cintas não devem ser demasiado apertadas, e não devem ser utilizadas durante um longo período de tempo, para que os músculos abdominais possam recuperar;
- e se me lembrar de mais alguma coisa, acrescento…
Todos os fim de semanas têm exactamente o mesmo defeito: são demasiado curtos! E quando estamos a fazer actividades que nos dão prazer ainda mais curtos ficam…
Este fim de semana, Braga esteve um verdadeiro forno!! Sábado saímos de tarde para almoçar (que a minha veia caseira está cada vez mais extinta), e dar uma pequena volta no Media Markt que o Pai anda à procura do portátil dos sonhos! E até me custava a respirar
À noite tivemos um jantarinho tranquilo em casa com um amigo. Aproveitei para arrumar a sala, onde estavam amontoadas as tralhas que antes estavam no quarto da Maria. Agora já só falta levá-las para a garagem.
Ontem fomos até ao Gerês!! E como eu adoro o Gerês! Era para termos ido no sábado acampar, mas o parque onde o Padrinho estava encheu por causa do fim de semana e então não deu. Almoçamos e fomos até ao lado espanhol até um local chamado Os Baños onde se pode tomar banhoca de água quente numa piscina onde água atinge para aí uns 39º graus e do outro lado, corre o rio com água com temperaturas normais – água fria, mas não gelada como na praia! Foi um dia muito bem passado! Chegamos a casa era meia-noite e eu adormeci instantaneamente!
Ficam aqui duas fotos!

A minha barriga Ovo Kinder de Páscoa (aqueles bem grandes) e a barriga da minha Cunhadinha, que não tem Baby Inside! É incrível o poder da pele esticar…

E cá está o tamanho da minha barriga… Eu só tenho mesmo a noção de que ela está assim – enorme – quando vejo fotos ehehehe
Esta semana traz grande agitação! Só trabalho 2 dias (iupiiiii), vou ao Ikea na quarta-feira fazer as compras para o quarto da Maria
, na quinta vamos ver a pequerrucha – consulta de 34 semanas (será que a malandra já se virou??) e na sexta montagens e arrumações. Quero ver se esta semana faço a mala… É que nesta altura nunca se sabe quando é que ela vai querer nascer!